CABO GUERRA E A MALDIÇÃO VODU



Cabo Guerra, que tinha a 'batalha' até no nome...! Vinha de uma tradicional família de militares e quase não se continha de euforia ao saber de sua escalação para a apesar de perigosa, importante missão de paz no Haiti. E chegando lá, nas patrulhas que se davam naquele pobre país secularmente devastado por tudo o que era mazela, a alegria daquele jovem militar já não era tanta! Acompanhando aqueles carros de combate e toda aquela infantaria de capacete azul e fortemente armada, suas lágrimas, mesmo que disfarçadas, não se continham. Até que no meio da poeira daquela estrada de chão batido, o mesmo tropeça em algo, que quando se recompõe, logo vê que se tratava do que se parecia com um tosco e bizarro boneco e que acaba despertando-lhe a atenção. Ele pergunta a alguns colegas de farda 'o que era aquilo', mas só um soldado baiano de uma família candomblecista é que sabia dizer o que era, explicando-lhe que se tratava de um 'boneco vodu'. Jovem e imaturo como qualquer um nessa época da vida, ainda em sua empolgação, Cabo Guerra resolve limpar aquele estranho boneco que ele batiza de 'Tonton', e mesmo sob o aviso do soldado baiano sobre os riscos dessa atitude, guarda com ele assim mesmo como uma espécie de 'suvenir'. Nos dias que se seguiram de mais e mais patrulhas com alguns ataques e outros incidentes isolados, não se sabe se por cansaço, stress ou 'reação' de alguma daquelas vacinas que o pelotão precisava tomar, mas Cabo Guerra começava a se sentir mal. Luxações e marcas misteriosas pelo corpo parecidas com 'picadas de agulha',  queimaduras, violentos espasmos ou convulsões noturnas, além de pesadelos e alucinações onde este via inimigos onde não existiam e até mesmo fantasmas ou figuras das mais demoníacas que tentavam invadir o seu acampamento. Todos, inclusive seus superiores já começavam a se preocupar com aquele soldado. Uma espécie de 'baixa compulsória' já se cogitava no alto escalão daquela missão. Mas Cabo Guerra que trazia o 'combate' no próprio nome, não queria 'fugir a luta' e precisava honrar sua família de onde um de seus avôs chegou a participar da FEB(Força Expedicionária Brasileira). Ele continua com aquelas estranhas alucinações e foi numa certa noite que perseguindo uma ameaçadora 'figura de cartola' que somente ele via, que Cabo Guerra ao se separar dos demais, acabou caindo numa emboscada na qual fora covarde e fatalmente alvejado por algum membro de gangue escondido numa favela(Cité Soleil). Mas antes que se pudesse sentir aquela baixa, estranhamente o corpo de Cb Guerra havia desaparecido junto com aquele boneco sinistro. O Exército resolve 'abafar o caso' e comunicar a família que o jovem havia desaparecido em combate. Esta seria a versão oficial apesar de alguns soldados afirmarem ter visto este 'colega morto' perambulando por alguns daqueles becos e vielas. Mas atribuindo isso ao esgotamento e a adrenalina que estes militares viviam, o alto comando manteve a sua versão. Mas esta acabou sendo 'desmentida' por uma carta perturbadora supostamente enviada pelo próprio Cabo Guerra e na qual dizia que seus familiares não se preocupassem, pois até mesmo morto ou 'morto-vivo', ele seguiria com sua missão de ajudar a reconstruir aquele país do qual 'a sua alma agora pertence'. A letra de Cb Guerra é reconhecida em tal carta, mas apesar das ameaças de processo por parte da família do Cabo, o Ministério do Exército nunca admitiu tal fato tão insólito.

Comentários