DEPOIS DAQUELE ARCO-ÍRIS


Aconteceu depois daquele arco-íris durante a bonança não só após uma tempestade, mas também de tempos bem difíceis para a nossa família! Naquele dia, aguardávamos a chuva passar para mais uma vez meus pais nos reunir para seguirmos até a casa de nossos tios que tinham uma situação melhor, e assim pedir mais um daqueles empréstimos. Eram tempos de crise devido a um odioso 'plano econômico' que praticamente afundou a economia do pais. Apesar de sermos bem novos, eu e meus irmãos sabíamos do que estava acontecendo, entendíamos de algum jeito toda aquela situação! E no meio daquela penúria toda, ao passar a tempestade, e olhar para aquele arco-íris que a ilusão de óptica me dava a impressão de que 'entrava pelo basculhante da cozinha', em minha inocência quase infantil, eu fiz um pedido para que tudo melhorasse para nós depois daquele dia.  E quando voltamos, após aquele dia inteiro que passamos naquele casarão, já era bem tarde e já nos preparávamos para nos recolher quando na cozinha percebemos barulhos estranhos de coisas caindo como se estivessem 'sendo reviradas'. Ratos...! Foi logo o que todo mundo achou! E munidos de vassouras e chinelos nos prontificamos para caçar o suposto roedor. Toda a cozinha fora revirada por nós, mas nada fora encontrado ali. Voltamos a nos recolher, e quando eu já estava quase pegando no sono, mais uma vez a barulheira volta na cozinha, mas desta vez somente eu noto. Munido de uma vassoura, sigo sozinho até lá, e após revirar algumas panelas jogadas, para a minha mais do que incrível surpresa, me deparo com o que eu diria sem nenhuma sombra de dúvida ser um duende. Com tudo o que eu sabia a respeito, com livros infantis, desenhos, filmes... aquela criaturinha era sim um duende! E este se mantinha assustado ao me ver com aquela vassoura erguida, e ainda não acreditando, lhe pedi calma, e lhe perguntei 'o que o mesmo queria'. E o pequeno com um sotaque parecendo ser 'do norte da Europa' e uma 'finesse britânica', se apresentando com o nome de 'Hans, O Elfo', me responde que só queria o seu baú de ouro, que seguia 'deslizando por aquele arco-íris mundo afora atrás desse tal tesouro e que pela direção que o arco tomou, ele supunha que este baú talvez estivesse na minha casa. Eu 'me belisquei' e se naquele tempo eu tivesse uma câmera, existisse um celular ou o que fosse para poder gravar aquilo, não perderia o meu tempo...! E gaguejando, disse que não sabia e ainda brinquei com ele, lhe dizendo que 'tudo o que o nosso país precisava naquele momento era de um tesouro'. O mesmo não me deu atenção e seguiu procurando o tal baú. E também querendo 'saber desse tesouro', resolvi ajudá-lo. Mas quando começamos a fazer muita bagunça ali, meus familiares acabaram despertando e seguindo até a cozinha para ver o que se tratava. Eles chegam, tento contar que estava 'ajudando um duende', mas Hans havia desaparecido, e além de não acreditarem, ainda me deram uma baita bronca me mandando dormir. Fosse aquilo um sonho ou não, acreditando ou não quem eu contasse, eu sei que coincidentemente 'ou não', nos dias que se seguiram eu vi tudo dar certo em nossa vida. Meu pai fora chamado para aquele emprego numa grande empresa multi-nacional para onde enviara um currículo dos tantos que o mesmo enviou sem ter resposta, minha mãe ganhou um carrão numa raspadinha que só jogou uma vez, meu irmão mais velho entrou para a faculdade, minha irmã teve sua festa de debutante até então 'impensável' para época, coincidentemente o então presidente culpado por aquela crise toda fora impeachmado no mesmo período, e para mim, aquela menina linda do colégio e a qual eu não tinha nenhuma chance, começou a me dar bola até finalmente namorarmos e ao crescermos nos casarmos e hoje quando lhe conto essa história, é claro que ela não acredita! Mas fiquem ligados, pois eu não sei se o pequeno Hans encontrou o seu tesouro, então 'quem sabe após uma tormenta dessas... seja a proporção que tiver, aquele arco-íris também chegue até sua casa'?!.

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