SAL, O MEU AMIGO IMAGINÁRIO


Quando eu era criança em certo momento da minha vida naquela época, por algum motivo, resolvi criar um 'amigo imaginário', 'Sal' era o nome dele. Meus pais e todos os meus familiares logo se espantaram ao me ver falando, brincando e interagindo da forma que fosse com aquele 'amigo invisível'. Mas Sal era o único que me compreendia, que me servia de companhia e mais importante de tudo, não me decepcionava como a maioria das 'pessoas de verdade'. Era Sal pra cá, Sal pra lá...até o ponto de eu tomar um safanão da minha mãe para que eu parasse com aquilo, já que a mesma não conseguia ver ninguém ao meu lado, coisa que minha capacidade de infante na época me permitia com a maior facilidade. E quando comecei a falar em comprar coisas como lanches ou roupas para Sal, isso foi a gota d'água para minha mãe que junto com meus demais familiares, já começava a cogitar um psicólogo ou mesmo psiquiatra para mim. A minha 'relação com Sal' agora estava ameaçada, e com isso, só poderíamos nos encontrar às escondidas. E pensando junto com Sal, tivemos a ideia de nos reunir num sótão ou num 'buraco' entre a laje e as telhas lá de casa. Aquele local era perfeito, nenhum daqueles adultos chatos nos incomodaria ali, pensei. Fui para lá, onde Sal por ter a capacidade de voar chegou primeiro do que eu. Ali nos reunimos algumas vezes até sermos descobertos graças ao barulho que fazíamos por lá. Depois de uma bela bronca com mais ameaças, tivemos que parar de ir para aquele 'sótão' por algum tempo, mas quando a poeira baixou, logo retornamos para lá. Onde brincamos bastante, e quando eu senti que meus pais poderiam dar a nossa...quero dizer a minha falta, resolvi me apressar para descer daquela laje. E nesta pressa e nervosismo foi que acabei me desequilibrando e quando já estava prestes a cair para morrer 'espatifado' naquele chão, algo que parecia ser 'a mão de alguém' milagrosamente surgiu e segurou a minha, me salvando. E seguro, já de volta a laje, não entendi nada...quem me segurou?! Olhei para um lado, para o outro... 'Sal'? Mas Sal não existia, apesar de eu fingir e brincar bastante com aquela pessoa, era só minha imaginação, aquilo não era possível! Me apressei novamente para sair dali. E ainda assustado, com os meus olhos bem arregalados e respiração ofegante, tentei contar a meus, também assustados, familiares o que aconteceu, mas foi inútil. Depois daquele dia nunca mais falei com Sal, meu amigo imaginário, salvador, 'anjo da guarda' ou seja lá o que ele pôde ter sido para mim naquele dia. Valeu, Sal!. 

Comentários